Visita à exposição desperta lembranças, fortalece vínculos e transforma experiências em diálogo e afeto entre os idosos do Grupo Villa.

Momento de visita à exposição “Memórias (re)encantadas” -Ateliê das Molduras, em Juiz de Fora

Há algo de profundamente humano em revisitar memórias. Elas não são apenas lembranças do passado – são fragmentos daquilo que somos. Na terceira idade, esse encontro com a própria história ganha ainda mais significado. Trabalhar sentimentos, acolher emoções e dar espaço às narrativas individuais é parte essencial de um envelhecimento saudável.

Foi nesse contexto que os idosos do Grupo Villa visitaram a exposição “Memórias (re)encantadas”, da artista Marcela Lima, realizada no Ateliê das Molduras, em Juiz de Fora. A mostra, construída a partir de técnicas de pintura e assemblage – linguagem artística que incorpora objetos e diferentes materiais às obras – convidava o público a olhar para o passado com delicadeza e novas camadas de interpretação.
Ao percorrerem o espaço expositivo, os residentes não foram apenas espectadores. Foram protagonistas de suas próprias histórias. Cada obra observada despertava associações espontâneas: uma moldura remetia à casa da infância, detalhes de rendas antigas nas pinturas evocavam momentos de festas, detalhes de casa, um objeto incorporado à composição lembrava tempos de trabalho, família e construção de sonhos.

E, naturalmente, as conversas surgiram.

Entre uma obra e outra, relatos começaram a ser compartilhados. Histórias da juventude, lembranças de mudanças importantes, experiências que marcaram trajetórias. Houve risos, houve silêncios cheios de significado. A arte cumpriu seu papel mais nobre: abriu espaço para a expressão.

A Artista Marcela Lima em conversa com os residentes.

A arte como expressão, autoestima e conexão

Quando o idoso compartilha sua história, ele reafirma sua identidade. Esse processo fortalece a autoestima e amplia o sentimento de pertencimento. A memória afetiva não é apenas recordação – é construção contínua de sentido.

Experiências culturais como essa estimulam a cognição, favorecem a comunicação e fortalecem vínculos sociais. Mais do que entretenimento, são oportunidades de cuidado emocional. Ao falar sobre o que viveram, os idosos organizam sentimentos, ressignificam momentos e criam novas conexões entre passado e presente. No Grupo Villa, essa vivência não termina ao final da visita, ela se transforma nas aulas de artes, que fazem parte da programação semanal e são um espaço permanente de expressão e estímulo. Conduzidas pela professora Alzira Medeiros, essas atividades vão muito além da produção artística: são momentos em que criatividade, histórias e lembranças se entrelaçam de forma espontânea.

Ao pintar e explorar diferentes materiais, os residentes exercitam a criatividade enquanto fortalecem a coordenação motora e a cognição. Cada produção carrega experiências de vida e promove troca, convivência e autoconfiança – mostrando que a arte é também uma forma de cuidado, além de ser um exercício de escuta interna e também de troca coletiva.

Atenção, curiosidade e diálogo das histórias retratadas nas artes.

Momento de socialização e troca de experiências durante a visita

No Grupo Villa, entendemos que envelhecer com qualidade envolve estrutura, segurança e assistência, mas também escuta, sensibilidade e estímulo à expressão. O cuidado emocional é parte inseparável da longevidade.

Experiências como a visita à exposição “Memórias (re)encantadas”, no Ateliê das Molduras, demonstram que a arte pode ser uma aliada poderosa nesse processo. Ela reabre caminhos internos, fortalece identidades e transforma lembranças em pontes de conexão.

Cuidar das emoções é reconhecer o valor de cada trajetória.
E toda trajetória merece ser lembrada, acolhida e celebrada.

Momento de diálogo e interação dos residentes com sobre a exposição.

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